Domingo, Junho 18, 2006
TEXTO ESCRITO EM 01/05/2006 
UM ARTISTA SAI DE CENA
Na última semana ficamos sabendo que um artista da bola deixará o futebol mais triste. A bola sentirá saudades do modo como zizou a tratava. Com carinho, com jeito. Uma relação de troca de afagos. Estou falando de Zinedine Zidane, um dos maiores de todos os tempos do futebol. Esporte esse que está ficando órfão de craques assim, de fino trato com a bola. Em épocas em que a redonda é mal tratada a toda hora por verdadeiros gladiadores travestidos de futebolistas, zizou se difere. Tem a mesma relação com a bola que Picasso tinha com o pincel. Que Beethoven tinha com as notas musicais. Que Che tinha com a revolução. Que Einstein tinha com suas teorias. Que Shakespeare com seus dramas. Uma relação de amor. De cumplicidade. De eterna paixão.
Zidane ainda dará o ar de sua graça na Copa da Alemanha. Serão as últimas oportunidades de ver em ação um jogador que já entrou pra galeria dos maiores. O francês, de 33 anos, nem precisava olhar pra ela, a bola. Chegou a tal ponto de intimidade que um já sabia o que o outro iria fazer. Sempre jogou de cabeça em pé. Com uma elegância de fazer inveja ao mundo da moda. Dominava a sua cúmplice com maestria. E ela, a bola, se deixava dominar. Sabia que estaria em boas mãos, ou melhor, pés. Passava, chutava, cabeceava...tudo isso com o maior carinho para com ela.
Com certeza ela estará mais triste depois da copa. E o mundo dos que apreciam o verdadeiro e bom futebol, dos que olham para o futebol como um espetáculo, também. Do mesmo jeito que não podemos ver mais ao vivo um concerto de Beethoven ou uma peça de Shakespeare, não poderemos mais ver Zidane fazendo (e como!!!) sua arte pelos gramados do mundo. Mas fica o nosso: Obrigado, zizou...
Fábio Carvalho
(escreve também no JORNAL DOS SPORTS)
Webmaster -
6/18/2006